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Manutenção Industrial

Análise de vibração: como funciona e que defeitos identifica

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Equipe PM Run
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Análise de vibração: como funciona e que defeitos identifica

Análise de vibração é a técnica de manutenção preditiva que mede a vibração de máquinas rotativas em operação e interpreta o sinal para identificar defeitos como desbalanceamento, desalinhamento, folga mecânica, falha de rolamento e problemas de engrenamento. Cada defeito produz uma assinatura própria em frequência e amplitude, e a comparação com o padrão da máquina mostra qual componente está degradando e com que severidade.

É a técnica de referência para motores, bombas, ventiladores, compressores e redutores, e costuma ser o primeiro investimento de um programa de manutenção preditiva em plantas com muitos equipamentos rotativos.

Como funciona a análise de vibração

Toda máquina rotativa vibra. Em condição saudável, essa vibração é baixa e estável. Quando um defeito aparece, ele acrescenta forças periódicas ao conjunto: uma massa desbalanceada gira uma vez por volta, um defeito na pista externa do rolamento é atingido pelas esferas várias vezes por volta, um dente danificado bate a cada engrenamento. Essas forças aparecem no sinal de vibração em frequências ligadas à rotação e à geometria dos componentes.

O trabalho do analista é medir o sinal no ponto certo, decompor a vibração nas suas frequências e associar cada pico a uma causa física. Por isso a análise de vibração vai além de dizer que a máquina vibra muito: ela aponta qual componente está falhando, o que permite planejar a peça e a intervenção certas.

O que se mede: sensores, pontos e grandezas

  • Sensores: o acelerômetro piezoelétrico é o mais usado em rotas e sensores fixos. Em máquinas grandes com mancais de deslizamento, sensores de proximidade medem o deslocamento do eixo em relação ao mancal.

  • Pontos de medição: em geral, cada mancal é medido nas direções horizontal, vertical e axial. O ponto precisa ser marcado e repetido em todas as coletas; mudar o ponto muda a leitura.

  • Grandezas: deslocamento (útil em baixa frequência e em eixos), velocidade (a mais usada para avaliar severidade geral) e aceleração (sensível a altas frequências, onde aparecem os defeitos iniciais de rolamento e engrenagem).

Junto com o sinal, o registro precisa trazer a rotação e a condição de operação no momento da coleta. Vibração medida em carga diferente, ou com a máquina em regime transitório, não é comparável com a tendência.

Valor global, espectro e forma de onda

O valor global resume a vibração total em um número, normalmente a velocidade RMS em mm/s. Ele é bom para triagem e tendência, mas não diz a causa: duas máquinas com o mesmo valor global podem ter problemas completamente diferentes.

O espectro (FFT) decompõe o sinal em frequências. É nele que o analista enxerga o pico em 1x a rotação, as harmônicas, a frequência de engrenamento ou as frequências de defeito de rolamento.

A forma de onda no tempo mostra impactos, batidas e modulações que o espectro às vezes esconde. A técnica de envelope (demodulação) isola os impactos repetitivos de alta frequência e é a ferramenta clássica para detectar defeito de rolamento cedo.

Defeitos que a análise de vibração identifica

DefeitoAssinatura típicaObservação
DesbalanceamentoPico dominante em 1x a rotação, predominantemente radialFase estável; amplitude cresce com a rotação
Desalinhamento1x e 2x a rotação, com componente axial elevadaConfirmar com medição de alinhamento; veja alinhamento de eixos
Folga mecânicaSérie de harmônicas da rotação, às vezes sub-harmônicasBase, fixação ou folga de mancal
Defeito de rolamentoFrequências de defeito da pista externa, pista interna, elementos rolantes e gaiola; energia no envelopeAs frequências dependem da geometria do rolamento
EngrenamentoFrequência de engrenamento e bandas laterais na rotação dos eixosDesgaste, dente danificado, excentricidade
Problemas elétricos em motoresPicos ligados à frequência da rede e à passagem de polosComplementar com análise de corrente
RessonânciaAmplificação em faixa de frequência próxima à natural da estruturaMudança de rotação altera a resposta

Normas e níveis de severidade

A referência internacional para avaliar severidade por medição em partes não rotativas é a série ISO 20816, que substituiu a antiga ISO 10816. Ela classifica a vibração em zonas (A para máquinas recém-comissionadas, B para operação irrestrita de longo prazo, C para operação restrita e D para vibração capaz de causar dano), com limites que variam por tipo de máquina, potência, rotação e tipo de fundação.

As zonas da norma são um ponto de partida. Programas maduros criam limites próprios por máquina a partir da linha de base medida depois de uma intervenção bem feita, e acompanham a tendência: uma máquina dentro da zona B que dobrou a vibração em três coletas merece mais atenção que uma estável no limite da zona C.

A qualificação de analistas costuma seguir a ISO 18436-2, que define categorias de competência para monitoramento e diagnóstico de vibração.

Rota com coletor ou monitoramento online

Na rota, um inspetor percorre as máquinas com coletor portátil em periodicidade definida, mensal ou quinzenal na maioria das plantas. É o ponto de entrada mais comum porque cobre muitos ativos com investimento baixo. Na monitoração online, sensores fixos coletam continuamente e disparam alarme quando a vibração muda. Faz sentido em máquinas críticas, de difícil acesso ou com modos de falha rápidos demais para o intervalo da rota.

O critério de escolha é o intervalo entre o primeiro sinal detectável e a falha, a chamada curva P-F. A coleta precisa ser mais frequente que esse intervalo; do contrário, a falha nasce e termina entre duas medições.

Como implantar um programa de análise de vibração

  1. Escolha os ativos pela criticidade: comece pelas máquinas cuja parada custa mais ou oferece risco, usando a matriz de criticidade.

  2. Levante os dados técnicos: rotação, tipo e modelo dos rolamentos, número de dentes, tipo de acoplamento e fundação. Sem esses dados, as frequências de defeito não podem ser calculadas.

  3. Defina pontos, direções e grandezas: marque os pontos na máquina e padronize a configuração de coleta.

  4. Registre a linha de base: a primeira coleta em condição conhecida e boa é a referência de todas as outras.

  5. Defina alarmes e o fluxo da recomendação: quem analisa, quem decide, em quanto tempo o diagnóstico vira nota e ordem.

  6. Feche o ciclo: depois do reparo, uma nova coleta confirma o resultado, e a condição encontrada na desmontagem volta ao histórico para calibrar os próximos diagnósticos.

Limites da análise de vibração

  • Funciona melhor em máquinas rotativas; em equipamentos estáticos ou de baixíssima rotação, o sinal é fraco e a interpretação fica difícil.

  • Depende de dado técnico correto. Rolamento trocado por outro modelo sem atualização do cadastro gera frequência de defeito errada.

  • Não enxerga bem problemas elétricos de painel, isolamento térmico ou contaminação do lubrificante; para isso existem a termografia e a análise de óleo.

  • Exige analista qualificado. Um programa que só coleta valor global e compara com um limite fixo perde a maior parte do valor da técnica.

Como a análise de vibração aparece no SAP PM e no PM Run

O diagnóstico de vibração é feito no software do coletor ou da plataforma de monitoramento. O que precisa chegar ao SAP PM é a decisão: a recomendação vira nota de manutenção no equipamento correto, com sintoma, parte e prazo; a nota gera a ordem, com a peça reservada; e a confirmação registra o que a desmontagem encontrou. Quando a organização acompanha o valor global de alguns pontos no próprio SAP, eles podem ser cadastrados como pontos de medição, e cada coleta vira um documento de medição com histórico.

No PM Run Mobilidade, o técnico encontra o equipamento por QR Code, lança o documento de medição e, se a leitura estiver fora dos limites cadastrados no ponto, o aplicativo exige a abertura de uma nota. Na ordem, o laudo em PDF e as fotos podem ser anexados, cada linha do texto longo vira item de checklist e a confirmação por operação volta ao SAP PM. O sistema não interpreta espectro; ele garante que o diagnóstico chegue à execução e que o resultado volte ao histórico.

Perguntas frequentes sobre análise de vibração

Um valor global alto identifica a falha?

Não. O valor global indica que algo mudou e serve para triagem e tendência. A identificação do defeito vem do espectro, da forma de onda e do envelope, interpretados com os dados técnicos da máquina.

Qual norma define os limites de vibração?

A série ISO 20816, que substituiu a ISO 10816, define zonas de severidade por tipo e porte de máquina. Os limites são referência inicial; o acompanhamento de cada máquina deve usar a linha de base e a tendência própria.

De quanto em quanto tempo medir vibração?

Em rotas, a periodicidade mais comum é mensal ou quinzenal nas máquinas críticas. O intervalo correto é o que cabe com folga dentro do tempo entre o primeiro sinal do defeito e a falha. Modos de falha rápidos pedem monitoramento online.

O que precisa ser registrado depois do reparo?

Uma nova coleta nos mesmos pontos e condições, a comparação com a linha de base e a condição real encontrada na desmontagem. É esse retorno que mostra se o diagnóstico estava certo e melhora os próximos.

Se os diagnósticos de vibração da sua planta demoram a virar ordem programada, conheça o PM Run Mobilidade e veja como medição, nota e execução chegam ao SAP PM direto do campo.

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