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Manutenção Industrial

Análise de vibração na manutenção: do sinal à ordem

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Equipe PM Run
23/08/2026

A análise de vibração relaciona movimento medido, regime operacional e dinâmica da máquina para sustentar uma hipótese de condição. Um valor global pode sinalizar mudança. Espectro, forma de onda, fase e contexto ajudam a distinguir fontes possíveis. A decisão de manutenção surge quando a evidência é repetível, compatível com o mecanismo e conectada ao risco do ativo.

Amplitude elevada não identifica automaticamente desalinhamento, desbalanceamento ou dano de rolamento. Ponto, direção, montagem do transdutor, banda, resolução, velocidade, carga e transmissão estrutural alteram o sinal. Uma rota sênior preserva esses elementos antes de comparar campanhas.

A cadeia de medição que precisa ser auditável

O sinal começa no movimento físico, passa pelo caminho de transmissão, pelo transdutor, pela fixação, pelo condicionamento e pelo processamento. Cada etapa pode introduzir atenuação, saturação, ruído ou diferença de fase. Trocar um ponto ou método de montagem pode criar uma quebra de tendência mesmo que a máquina permaneça igual.

A ISO 20816-1 estabelece diretrizes gerais para medir e avaliar vibração de máquinas completas, com critérios ligados à magnitude e à mudança. Partes específicas da série tratam classes de máquinas. A aplicação exige identificar a parte pertinente, a edição vigente, o tipo de medição e os limites do procedimento interno.

O que cada representação entrega

  • Valor global: resume energia na banda definida e favorece triagem e tendência.
  • Espectro: distribui amplitude por frequência e permite relacionar ordens de rotação e frequências características.
  • Forma de onda: preserva impactos, modulação, batimento e eventos transitórios no tempo.
  • Fase: compara o movimento entre pontos e apoia hipóteses como desbalanceamento, desalinhamento e ressonância.
  • Envelope: realça modulações de alta frequência em aplicações compatíveis, com configuração documentada.

O método precisa responder ao mecanismo. Um global em velocidade pode acompanhar severidade ampla, mas perde detalhes. A aceleração pode ser útil para componentes de frequência mais alta. O deslocamento pode ser relevante em outras classes e medições. Converter unidades sem banda e sem tipo de detecção produz números que parecem comparáveis e não são.

Pacote mínimo da rota

DimensãoRegistro necessário
Ativoequipamento, componente, ponto e direção
Operaçãorotação, carga, vazão, pressão e estado do processo
Aquisiçãotransdutor, fixação, faixa, amostragem, linhas e média
Processamentounidade, banda, filtro, janela e detecção
Referêncialinha de base, campanha anterior e limite aplicável
Decisãorepetir, confirmar, avisar, planejar ou escalar

Uma rota também define segurança e acesso. O executante não aproxima instrumento de parte girante fora do ponto aprovado, não remove proteção energizada e não improvisa superfície de coleta. A condição insegura vira saída operacional própria.

Dossiê didático: conjunto motor-bomba MP-12

Os números são didáticos e não representam cliente, benchmark ou desempenho da PM Run. O MP-12 bombeia água de processo a 72 m³/h. O conjunto possui motor de 75 kW, acoplamento flexível e bomba centrífuga a 1.780 rpm. A linha de base foi obtida depois de comissionamento, alinhamento aceito e teste estável.

Linha de base e regra interna

A planta adotou dois gatilhos próprios: aumento superior a 40% contra a linha de base sob regime equivalente e ultrapassagem dos limites aprovados para a classe da máquina. O primeiro gera repetição e análise. O segundo segue a matriz de resposta. Esses valores não são limites universais.

PontoBase em velocidade RMSCampanha atual
Motor lado acoplado horizontal2,1 mm/s5,8 mm/s
Motor lado acoplado axial1,7 mm/s6,4 mm/s
Bomba lado acoplado horizontal2,3 mm/s5,5 mm/s
Bomba lado acoplado axial1,9 mm/s6,0 mm/s

A coleta ocorreu a 1.779 rpm, vazão de 71,6 m³/h, pressão estável e temperatura de mancais dentro da faixa local. A montagem magnética, os pontos e a banda de 10 a 1.000 Hz foram mantidos. O analista repetiu a leitura após 15 minutos e obteve variação inferior a 5%.

Assinatura observada

O espectro axial mostrou 1× rotação dominante e componente 2× elevada. A fase axial entre motor e bomba apresentou relação compatível com movimento relativo no acoplamento. A forma de onda não mostrou impactos repetitivos fortes. O envelope não trouxe frequências de rolamento sustentadas acima da linha de base.

Essa combinação favoreceu a hipótese de desalinhamento, mas não a confirmou. Desbalanceamento, base deformada, tensão de tubulação, folga e ressonância poderiam modificar o padrão. A equipe verificou parafusos aparentes, condição da base, processo e histórico. A ordem anterior registrava troca de selo, sem evidência do alinhamento final.

Classificação e decisão

A matriz interna considerou tendência, magnitude, criticidade, redundância e janela disponível. O conjunto possuía reserva testada. Engenharia autorizou transferência e inspeção planejada em até 48 horas. A decisão foi registrada com responsável e condição operacional. Outro ativo poderia exigir resposta distinta.

A notificação descreveu valores, regime, pontos, direção, espectros, forma de onda e hipótese. O campo de causa permaneceu aberto. A ordem vinculada incluiu inspeção de base, pé manco, tensão de tubulação, acoplamento, alinhamento e condição dos mancais, seguida de correção e teste conforme aprovação.

Condição encontrada

Na intervenção, a equipe mediu pé manco de 0,18 mm em um apoio do motor. Depois da correção da base, o alinhamento a frio mostrou offset de 0,21 mm e angularidade de 0,35 mm por 100 mm, fora dos critérios internos definidos para o conjunto. A verificação de tubulação não mostrou deslocamento material ao liberar a conexão conforme procedimento.

O motor foi calçado com material especificado, os apoios foram apertados na sequência aprovada e os eixos foram alinhados considerando a meta térmica da engenharia. Os valores finais ficaram em 0,04 mm de offset e 0,04 mm por 100 mm de angularidade. O acoplamento foi inspecionado e mantido.

Teste e confirmação

No teste a 1.781 rpm e 72,1 m³/h, o maior global foi 2,3 mm/s. A componente axial de 1× caiu 67%, e a de 2× retornou à faixa da base. Fase e forma de onda ficaram coerentes com a condição de referência. Temperatura, pressão e vedação atenderam aos critérios de liberação.

A janela de verificação incluiu leitura após 24 horas, semanal por quatro semanas e mensal por três meses. O indicador principal foi recorrência da assinatura. Também foram acompanhados percentual de rotas com regime completo, tempo entre alarme e decisão, ordens com condição encontrada e trabalhos de acoplamento com alinhamento final registrado.

Passagem correta para SAP PM

A notificação conserva observação, severidade, objeto técnico, data e anexos permitidos. A ordem contém operações, competência, ferramentas, materiais e critérios de teste. Medições podem ser ligadas aos pontos definidos na arquitetura da empresa. O encerramento registra valores encontrados e finais, sem substituir o espectro por um rótulo causal.

O plano de manutenção do MP-12 recebeu a rota revisada e o requisito de coletar rotação e vazão. A lista de tarefas de serviços no acoplamento passou a exigir inspeção de pé manco e alinhamento final. O histórico permite testar se a mudança reduz recorrência.

A PM Run apoia planejamento, mobilidade, execução e retorno sobre SAP PM. Ela não fornece transdutor, coletor, diagnóstico automático, algoritmo de prognóstico ou IA preditiva. A aquisição, a análise e a decisão pertencem aos profissionais qualificados e à governança da planta.

Alarmes, tendência e mudança de regime

Um alarme absoluto protege contra magnitude elevada dentro de um critério aplicável. Um alarme relativo detecta desvio de uma máquina normalmente estável. A tendência ajuda a estimar velocidade de mudança, mas extrapolar uma reta até a falha ignora acelerações, intervenções e regimes diferentes.

Máquinas de velocidade variável exigem estratégias específicas. Ordens, mapas por velocidade, análise síncrona e janelas estáveis podem ser necessárias. Comparar 1.200 rpm com 1.800 rpm como se fossem a mesma condição pode atribuir ao defeito uma resposta dinâmica normal.

Limites da técnica

  • O caminho estrutural pode atenuar ou amplificar uma fonte.
  • Ressonância pode elevar amplitude sem grande aumento de força excitadora.
  • Um global normal pode ocultar componente estreita relevante.
  • Frequência característica calculada precisa de rotação e geometria corretas.
  • Um padrão compatível sustenta hipótese, sem garantir causa única.
  • Baixa frequência, transientes e máquinas alternativas podem exigir outro método.
  • A ausência de mudança mensurável não comprova integridade de todos os modos.

Indicadores do programa

O programa acompanha cobertura de ativos críticos, repetibilidade, completude de regime, taxa de confirmação das hipóteses, reincidência após intervenção e tempo disponível entre detecção e ação. Alarmes sem decisão e ordens sem verificação aparecem como filas distintas.

No caso, a meta didática foi 95% das coletas com rotação e carga válidas, 100% dos desvios altos com decisão em 24 horas e nenhuma recorrência do padrão axial durante três meses. A meta não transforma o valor de 2,3 mm/s em limite corporativo.

Como combinar os métodos

A manutenção preditiva integra técnicas à decisão de condição. A curva P-F ajuda a definir o intervalo disponível. O alinhamento de eixos corrige a geometria confirmada. A análise de vibração mede e interpreta a resposta dinâmica.

Resolução, janela e tempo de aquisição

A resolução em frequência deriva da faixa e do número de linhas. Duas componentes próximas podem aparecer unidas quando a resolução é insuficiente. Aumentar linhas prolonga a aquisição e pode capturar variação operacional. O analista escolhe um compromisso coerente com a velocidade e as frequências que precisa separar.

A janela reduz efeitos do recorte temporal em sinais compatíveis, mas também altera amplitude e largura dos picos. O registro da rota identifica a janela e a correção aplicada. Mudar esse parâmetro sem marcar a campanha quebra a comparação. Médias estabilizam ruído aleatório, enquanto podem esconder transientes relevantes.

Teste de hipóteses no MP-12

A hipótese de desalinhamento gerou três previsões: componente axial relacionada à rotação, fase coerente entre lados do acoplamento e redução após corrigir a geometria. A inspeção de pé manco explicou parte da distorção da base. A ausência de impacto de rolamento no envelope reduziu, sem eliminar, essa hipótese.

A equipe registrou evidência contrária. O ponto horizontal também cresceu, o que poderia ser explicado por transmissão estrutural ou outra fonte. Por isso, a ordem não prescreveu apenas alinhar. Ela exigiu verificar base, tubulação, acoplamento e mancais antes de definir o escopo final.

Critério de encerramento

O trabalho somente fechou depois de combinar quatro evidências: geometria dentro do critério, queda da assinatura axial, processo estável e ausência de dano adicional. Se a vibração permanecesse alta com alinhamento aceito, a equipe faria teste de impacto e avaliação de ressonância antes de trocar outro componente.

Auditoria da rota

A cada trimestre, um analista repete 10% dos pontos coletados por outro profissional. A diferença é estratificada por direção, montagem e faixa. O objetivo não é avaliar velocidade individual, mas descobrir instrução ambígua, superfície inadequada ou configuração divergente.

No piloto, dois pontos mostraram variação maior que 12% entre coletores porque a marca física permitia posições diferentes. A engenharia instalou identificação permanente e atualizou a fotografia da tarefa. Depois disso, a variação caiu para 4% em três repetições.

Gestão de uma leitura inconclusiva

Uma assinatura fica inconclusiva quando regime, repetibilidade ou relação com o mecanismo são insuficientes. O registro não recebe rótulo normal nem causa provável. Ele gera nova coleta com condição especificada, técnica complementar ou avaliação dinâmica, conforme risco e tempo disponível.

No MP-12, uma coleta axial anterior havia sido feita sem vazão. A equipe a preservou como observação, mas não a usou na tendência. Essa decisão evitou calcular crescimento sobre pontos operacionalmente diferentes.

Competência e revisão técnica

O coletor precisa dominar segurança, pontos e configuração. O analista precisa interpretar dinâmica, falhas e limitações. A autoridade de manutenção transforma hipótese em ação. Em máquinas críticas, uma segunda revisão avalia evidência e consequência antes de recomendar parada ou grande desmontagem.

Referências técnicas

Perguntas frequentes

Um valor global alto identifica a falha?

Ele sinaliza severidade na banda adotada. A hipótese depende de espectro, forma de onda, fase, regime e conhecimento da máquina.

A norma fornece um único limite?

A série possui diretrizes gerais e partes específicas por classe. A empresa precisa selecionar o documento aplicável e aprovar seus critérios.

O que precisa voltar após o reparo?

Condição encontrada, geometria medida, correção, teste operacional e nova assinatura sob regime comparável. Esse ciclo permite avaliar a efetividade da decisão.

Para executar rotas e ordens conectadas ao sistema corporativo, conheça a camada operacional da PM Run para SAP PM.

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