
A matriz GUT é uma ferramenta de priorização que dá notas de 1 a 5 para a gravidade, a urgência e a tendência de cada problema e multiplica as três. Na manutenção, ela ordena o backlog de notas e ordens pendentes: quanto maior o resultado de G × U × T, mais cedo o item deve entrar na programação.
A ferramenta é simples, e por isso mesmo exige critério. Sem uma escala combinada, cada pessoa dá nota 5 para o próprio problema e a matriz vira uma votação. Usada com uma escala escrita, ela dá ao planejamento e controle da manutenção (PCM) um critério que qualquer planejador consegue explicar quando alguém pergunta por que uma ordem ficou para a semana seguinte.
O que é a matriz GUT
A matriz GUT foi proposta por Charles Kepner e Benjamin Tregoe como parte de um método de análise de problemas e decisões. Ela avalia cada problema por três critérios:
- Gravidade (G): o tamanho do impacto se nada for feito, sobre segurança, meio ambiente, produção, qualidade e custo.
- Urgência (U): o tempo disponível até o impacto acontecer.
- Tendência (T): o que acontece com o problema se ele for deixado como está: fica estável, piora devagar ou piora rápido.
O Ministério dos Transportes publica uma explicação do funcionamento da matriz GUT usada na gestão estratégica do órgão, com a escala tradicional de 1 a 5.
Escala de gravidade, urgência e tendência para a manutenção
A escala genérica ("sem gravidade", "pouco grave", "grave") deixa espaço demais para interpretação. Na manutenção, vale ancorar cada nota em consequências observáveis. Uma escala possível, que cada planta deve ajustar à própria realidade:
| Nota | Gravidade | Urgência | Tendência |
|---|---|---|---|
| 5 | Risco à segurança ou ao meio ambiente, ou parada de linha inteira | Impacto imediato, precisa de ação no mesmo turno | Piora rápida, com evolução visível em dias |
| 4 | Parada de equipamento crítico ou perda de qualidade do produto | Impacto esperado em poucos dias | Piora em semanas |
| 3 | Redução de capacidade ou equipamento operando sem redundância | Pode esperar a próxima programação semanal | Piora em meses |
| 2 | Aumento de custo ou de consumo sem efeito na produção | Pode esperar uma parada programada | Piora lenta, pouco perceptível |
| 1 | Efeito estético ou de conforto | Sem prazo definido | Estável, não tende a piorar |
Escrever a escala e deixá-la visível na reunião de priorização reduz a discussão sobre notas e torna o resultado comparável entre semanas.
Como calcular a pontuação GUT
Para cada item, multiplique as três notas: GUT = G × U × T. O resultado vai de 1 (1 × 1 × 1) a 125 (5 × 5 × 5). Depois, ordene os itens do maior para o menor. A multiplicação, em vez da soma, faz com que um item muito ruim em todos os critérios se destaque com clareza dos demais.
Quando dois itens empatam, a regra de desempate deve estar definida antes. Uma escolha comum é dar precedência ao item de maior gravidade, e depois ao de maior urgência.
Exemplo de matriz GUT na manutenção
O exemplo é ilustrativo. Cinco pendências de uma área de utilidades disputam espaço na programação da semana:
| Pendência | G | U | T | GUT |
|---|---|---|---|---|
| Vazamento de amônia em válvula da câmara fria | 5 | 5 | 4 | 100 |
| Compressor de ar reserva fora de operação | 4 | 3 | 3 | 36 |
| Vibração crescente em bomba de água de resfriamento | 4 | 3 | 4 | 48 |
| Iluminação queimada no corredor da casa de máquinas | 2 | 2 | 1 | 4 |
| Isolamento térmico danificado em linha de vapor | 2 | 2 | 2 | 8 |
A ordem resultante é vazamento de amônia (100), bomba com vibração (48), compressor reserva (36), isolamento (8) e iluminação (4). Repare que a bomba passou à frente do compressor por causa da tendência: um problema que piora sozinho ganha prioridade sobre outro que, embora grave, está estável. O vazamento de amônia, por envolver segurança, provavelmente seria tratado como emergência antes mesmo da reunião, o que mostra que a GUT organiza o que pode esperar, sem substituir a regra de atendimento imediato.
Matriz GUT e criticidade de ativos são coisas diferentes
A matriz de criticidade de ativos classifica equipamentos (A, B, C) pelo impacto que a falha deles teria, e muda pouco ao longo do tempo. A matriz GUT classifica problemas ou demandas em um momento específico. Uma bomba de criticidade A pode ter uma pendência de GUT baixa, como pintura, e um equipamento C pode ter uma pendência de GUT alta, se estiver vazando produto químico.
As duas se conversam: a criticidade do ativo é uma boa referência para a nota de gravidade, e usar a mesma base evita que a equipe avalie o impacto do mesmo equipamento de forma diferente a cada semana.
Como usar a GUT no backlog e na programação semanal
- Pontue na entrada. Dar a nota quando a nota de manutenção é analisada pelo planejador evita reuniões longas para pontuar dezenas de itens de uma vez.
- Reavalie a tendência. A urgência e a tendência mudam. Um item que esperou três semanas pode ter piorado e precisa de nova nota.
- Separe prioridade de prontidão. Um item de GUT alta sem material ou sem liberação da operação não pode ser programado. A prioridade diz o que fazer primeiro; a prontidão diz o que pode ser feito agora.
- Registre a justificativa. Quando alguém perguntar por que a ordem dele ficou para depois, a nota e o critério precisam estar à mão.
- Acompanhe o backlog de manutenção. Se os itens de GUT baixa nunca são executados, a matriz está escondendo falta de capacidade.
Depois de priorizados, os itens de maior pontuação podem ter o plano de ação detalhado com 5W2H, e os problemas recorrentes podem ser escolhidos com o apoio do diagrama de Pareto.
Limitações da matriz GUT e como contorná-las
A matriz GUT é rápida, e essa rapidez tem custo. Conhecer as limitações evita que ela seja usada fora do seu papel.
- Subjetividade. Mesmo com escala escrita, duas pessoas podem dar notas diferentes. Pontuar em dupla, planejador e supervisor, reduz a variação.
- Inflação de notas. Com o tempo, tudo tende a virar 5. Revise a distribuição das notas a cada mês: se a maioria dos itens está acima de 60, a escala perdeu sentido e precisa ser recalibrada.
- Empates frequentes. A escala de 1 a 5 gera muitos resultados iguais. A regra de desempate precisa estar escrita.
- Custo e esforço ficam de fora. A GUT não considera quanto custa resolver. Dois itens com a mesma pontuação podem exigir uma hora ou uma parada de três dias. A decisão de programação combina a pontuação com a capacidade disponível.
- Segurança não negocia. Itens com risco à segurança ou ao meio ambiente seguem a regra de atendimento imediato, independentemente da pontuação.
Priorização GUT no SAP PM e no PM Run
No SAP PM, a prioridade da nota e da ordem é um campo com valores configurados pela empresa (por exemplo, muito alta, alta, média e baixa), e o equipamento carrega o indicador de criticidade (ABC). Muitas plantas usam a GUT como regra para escolher a prioridade do SAP: faixas de pontuação correspondem a cada nível. O importante é que a regra seja escrita e aplicada por todos os planejadores.
O PM Run Planejamento apoia a etapa seguinte, que é transformar prioridade em programação: visualização da carteira por status em kanban (backlog, abertas, liberadas e em execução), ocupação das equipes por centro de trabalho, Gantt e alocação de técnicos, manual ou sugerida pela Manu, a assistente de IA do PM Run, a partir de habilidade, capacidade e disponibilidade. A programação oficial volta integrada ao SAP PM. Conheça o PM Run Planejamento.
Perguntas frequentes sobre matriz GUT
O que significa GUT?
GUT significa gravidade, urgência e tendência, os três critérios usados para pontuar e priorizar problemas.
Como calcular a matriz GUT?
Dê uma nota de 1 a 5 para gravidade, urgência e tendência de cada item e multiplique as três. O resultado vai de 1 a 125, e os itens são ordenados do maior para o menor.
Qual a escala GUT mais usada?
A escala de 1 a 5 em cada critério. O ideal é descrever o que cada nota significa na realidade da empresa, com exemplos de consequência, para que pessoas diferentes cheguem a notas parecidas.
Qual a diferença entre matriz GUT e matriz de criticidade?
A GUT prioriza problemas e demandas em um momento específico. A matriz de criticidade classifica equipamentos pelo impacto da falha e muda pouco com o tempo.
