Voltar
SAP PM

RISE with SAP: o que é, o que o contrato inclui e o que a TI precisa perguntar antes de assinar

E
Equipe PM Run
Publicado em

RISE with SAP é a jornada com que a SAP leva um cliente de ERP legado, como o SAP ECC ou o SAP S/4HANA on-premise, para o SAP Cloud ERP Private, nome comercial do SAP S/4HANA Cloud Private Edition. Para a TI, essa jornada se materializa em um contrato de assinatura que reúne o ERP, a infraestrutura em um hiperescalador ou em data center da SAP, a operação técnica do ambiente, o suporte e ferramentas e serviços de transformação, com a SAP como responsável única pelo nível de serviço do que foi contratado. RISE with SAP não é um release do S/4HANA, não é o banco SAP HANA e não é um ERP que concorre com o S/4HANA: o software que roda dentro do contrato continua sendo o S/4HANA.

A decisão técnica está um nível abaixo dessa definição. Em outubro de 2026, o que a SAP opera e o que fica com o cliente sai de quatro documentos públicos e versionados (termos suplementares, guia de descrição de serviço, acordo de nível de serviço e catálogo de papéis e responsabilidades) e do pedido de compra assinado. O catálogo afirma que toda tarefa aplicável ao ambiente que não foi comprada, nem é prestada pela SAP como serviço padrão, é responsabilidade do cliente. Código Z, monitoramento de interfaces, testes de regressão e ensaios de upgrade ficam nessa faixa.

O que é o RISE with SAP e o que ele não é

A SAP lançou o RISE with SAP em 27 de janeiro de 2021 como transformação de negócio vendida como serviço: uma oferta por assinatura, com uma parte responsável por acordo de nível de serviço, operação e suporte, e infraestrutura em data center da SAP ou em um hiperescalador escolhido pelo cliente. Em outubro de 2026, a página oficial define o RISE with SAP como uma jornada completa que ajuda organizações a migrar de um sistema ERP legado para o SAP Autonomous Suite, com o SAP Cloud ERP Private como destino.

A mesma página apresenta o RISE with SAP Methodology, que combina uma estrutura padronizada sobre os roadmaps do SAP Activate, orientação especializada da SAP e uma cadeia de ferramentas orientada por agentes.

A tabela separa software, nome comercial e oferta contratada, com os termos que a SAP usa em outubro de 2026.

NomeO que éRelação com o RISE with SAP
SAP S/4HANAO ERP da SAP e o nome técnico da família de produtosÉ o software que roda dentro do contrato
SAP S/4HANA Cloud Private EditionProduto técnico da nuvem privada, com escopo funcional comparável ao do S/4HANA on-premiseÉ o ERP de destino na apresentação atual da SAP
SAP Cloud ERP PrivateNome comercial associado à Private Edition, cujo pacote a SAP anunciou em 22 de abril de 2025É como a SAP chama hoje o destino do RISE
SAP S/4HANA 2023 e 2025Releases do software, numerados pelo anoO RISE não tem número de versão; o sistema contratado tem
SAP HANAO banco de dados em memória sobre o qual o S/4HANA rodaEntra como banco de execução nos pacotes que o incluem
SAP GROWJornada de adoção do ERP público, o SAP Cloud ERPÉ a outra jornada da SAP, com outro ERP de destino

Duas ressalvas de data evitam erro de leitura. A associação entre RISE e nuvem privada é a apresentação comercial de outubro de 2026: a comunicação da SAP de agosto de 2025 sobre a jornada RISE ainda citava as duas edições, e há contratos RISE antigos com a edição pública. E os documentos contratuais mantêm os nomes anteriores: os termos suplementares vigentes listam lado a lado SAP Cloud ERP Private e RISE with SAP S/4HANA Cloud, private edition nas variantes base, premium e premium plus. O mapa completo dos nomes está em SAP S/4HANA: o que é.

O que o pacote anuncia e o que o pedido de compra contrata

O anúncio de 22 de abril de 2025 apresentou o pacote SAP Cloud ERP Private com o SAP S/4HANA Cloud Private Edition, capacidades de SAP LeanIX e SAP Signavio, SAP Build, o SAP Business Network Supplier Portal, o SAP Enterprise Service Management, soluções SAP Taulia e serviços embarcados de ativação. O anúncio descreve a oferta; o direito de uso de cada item, com quantidade e limite, está nos termos suplementares e no pedido de compra.

A tabela cruza o que as fontes da SAP confirmam com o que depende do pedido. Os limites vêm dos termos suplementares na versão v.10-2026, de outubro de 2026, e do guia de descrição de serviço na versão v.12-2025, atualizado em 8 de dezembro de 2025.

ItemO que a fonte confirmaO que depende do pedido ou tem limite
ERPSAP S/4HANA Cloud Private Edition, medido em FUEQuantidade de FUE, faixa de dimensionamento e camadas adicionais
Infraestrutura e operação técnicaServiços padrão do catálogo de papéis e responsabilidadesTarefas adicionais, opcionais e empacotadas, cobradas à parte
Cadeia de ferramentasSAP Cloud ALM, SAP LeanIX e SAP Signavio estão no núcleoO uso varia conforme a fase do projeto e as soluções licenciadas
Serviço de preparação da transformaçãoIncluído sem custo adicional desde abril de 2025; entrega um roadmap, ativa a cadeia de ferramentas e demonstra casos de SAP Build e JouleO roadmap cobre até um processo de ponta a ponta; não é a implantação
SAP Business Technology PlatformO curso oficial diz que o BTP faz parte da assinatura, com serviços sem cobrança e serviços com taxaCréditos de consumo (CPEA) são negociados na venda; o voucher só existe se constar do pedido
Serviços de nuvem agregadosNas ofertas base, premium e premium plus, os termos suplementares listam cada serviço com seu limiteExemplos: SAP Build Work Zone com um usuário ativo por FUE; Supplier Portal com 100.000 documentos nas ofertas premium
Sandbox inicial (Starter System)Acompanha a assinaturaDura 90 dias a partir do início do produto ou 30 dias depois da entrega do ambiente de desenvolvimento; depois os dados são apagados
Recuperação de desastre, backup de longa retenção e SLA de 99,9%O guia de descrição de serviço lista os três como assinaturas própriasSó existem se constarem do pedido

Uma cláusula muda a leitura em renovações: os serviços agregados e seus limites seguem os termos suplementares vigentes na data do pedido inicial. Por isso duas empresas com RISE podem ter direitos diferentes sobre o mesmo serviço. A SAP publica as versões vigentes e as arquivadas desses documentos no SAP Trust Center, e os limites acima são os da versão v.12-2025 do guia de descrição de serviço.

Quem faz o quê: a matriz de responsabilidades da SAP e do cliente

O documento Roles and Responsibilities da Private Edition, na versão v.07.2026 de julho de 2026, é um catálogo de serviços em cinco categorias. Serviços padrão (Standard Services) estão cobertos pela assinatura e são executados pela SAP. Serviços adicionais (Additional Service) são tarefas pontuais, cobradas à parte, que só a SAP executa. Serviços opcionais (Optional Services) precisam estar discriminados no contrato. Serviços empacotados (Packaged Services), antes chamados SAP Cloud Application Services, são tarefas que o cliente pode fazer ou pagar para a SAP fazer. Tarefas excluídas (Excluded Tasks) só o cliente executa.

A disponibilidade de cada serviço varia por plataforma de infraestrutura e por região. A matriz resume as linhas que mais pesam para Basis, integração e desenvolvimento.

AtividadeCategoria no catálogoO que fica com o cliente
Infraestrutura, sistema operacional, banco e disponibilidade técnicaServiços padrãoConexão até o ponto de demarcação da SAP, incluindo o link de internet
Backup padrão e restauraçãoServiços padrão, com até 12 restaurações a pedido por sistema e por ano de contratoValidar a integridade lógica e a consistência do dado restaurado
Recuperação de desastreServiço opcional, prestado apenas se constar do contratoTestes funcionais no ensaio e procedimentos de recuperação das conexões e interfaces sob sua gestão
Configuração e monitoramento de interfaces (IDoc, qRFC, tRFC, bgRFC, ALE)Serviços empacotadosTudo, quando o pacote não foi contratado
TransportesConfiguração inicial do TMS é serviço padrão; executar transportes é serviço empacotadoTeste e aceite das mudanças, que é tarefa excluída
Cópia homogênea de sistema ABAP (refresh)Serviços padrão, com até 12 por sistema e por ano de contrato, na mesma regiãoMascaramento de dados
Notas de segurançaAplicar notas de Basis e ABAP sem atividade manual é serviço padrão, sob requisição; identificar as notas relevantes é serviço empacotadoAnalisar as notas no SAP for Me, abrir a requisição e testar
Support packages e feature packsServiços padrão, com parada programada; a opção Zero Downtime (ZDO) é serviço adicionalAtividades pós-instalação que não são técnicas
Upgrade de releaseA execução técnica é serviço padrão; planejamento, tarefas de Basis antes e depois e ajustes em SPDD e SPAU são serviços empacotadosEnsaios, decisões sobre objetos próprios e todos os testes
Conversão do ECC para o S/4HANAReadiness Check e preparação da análise de código são serviços padrão; a conversão técnica é serviço adicionalConversão funcional, itens de simplificação, correção de código e gestão do projeto
Add-ons ABAP de terceiros gerenciadosInstalação e atualização são serviços padrãoConfiguração, monitoramento e suporte junto ao fornecedor
Segurança da aplicação e código próprioTarefas excluídasConceito de segurança, desenho e implantação de SSO, revisão e otimização do código do cliente

Duas regras completam a matriz. O cliente não recebe acesso ao sistema operacional dos servidores gerenciados; quando uma tarefa sob sua responsabilidade exige esse acesso, a SAP executa ou oferece outro meio, em caráter ocasional. E a SAP resolve problemas técnicos do sistema, enquanto os problemas de aplicação ficam com o cliente.

Nível de serviço, backup e janela de manutenção do contrato padrão

O acordo de nível de serviço da Private Edition, na versão v.7-2025, vigente em outubro de 2026, traz os números que costumam faltar nas páginas de produto. A tabela resume o padrão; o pedido de compra pode elevar a disponibilidade.

ItemPadrão do documento
Disponibilidade de produção99,5% ao mês, salvo percentual maior nos termos suplementares ou no pedido
Disponibilidade de ambientes não produtivos95,0% ao mês
Backup do banco de produçãoCompleto diário mais backup de log, com retenção de 30 dias e réplica em outro data center ou local
Incidente de prioridade muito alta em produçãoReação em 20 minutos, todos os dias e horários, e solução, contorno ou plano de ação em 4 horas
Crédito por descumprimento2% da mensalidade do serviço para cada 1% abaixo do nível acordado, limitado a 100% da mensalidade
Rescisão por descumprimentoPermitida se a disponibilidade de produção falhar por 3 meses seguidos ou em 5 meses dentro de 12

O cálculo exclui paradas programadas, acordadas e de emergência. Os termos suplementares definem a parada programada: uma janela de 4 horas por mês, em dia útil para ambientes não produtivos e em fim de semana para produção, com aviso de pelo menos sete dias úteis, e o cliente tem cinco dias úteis para pedir outra data. A SAP pode fazer manutenção de emergência sem consentimento prévio. O acordo não cobre software fornecido pelo cliente, e as requisições de serviço são atendidas em inglês, ponto que pesa para equipes brasileiras.

A versão v.10-2026 dos termos suplementares acrescentou uma cláusula que a versão de julho não tinha, a cobrança de continuidade de infraestrutura. A SAP pode ampliar memória, servidores de aplicação ou infraestrutura além do dimensionamento do pedido, sem aditivo prévio, para evitar impacto relevante no sistema. Ela notifica o cliente por escrito, que tem 30 dias a partir do provisionamento para voltar ao dimensionamento original. Passado o prazo, os recursos adicionais são cobrados pelo preço de lista vigente, desde a data do provisionamento.

Como funciona a métrica FUE

FUE (Full Use Equivalent) é o método de agregação com que o cliente distribui acessos de pessoas ao serviço em nuvem, segundo proporções fixadas no guia de descrição de serviço. As proporções abaixo constam do guia da Private Edition na versão v.12-2025 e são as mesmas da versão de abril de 2025.

Tipo de usoAcessos por 1 FUEO que o tipo permite
Advanced use1Todas as capacidades do serviço
Core use5Lista fechada de capacidades, que inclui Maintenance Planning, Maintenance Execution e Technical Assets, Structure and History
Self-service use30Lista menor, que inclui Maintenance Execution e Maintenance Demand Processing, além de exibição e aprovação
Developer access0,5Ferramentas de desenvolvimento para criar add-ons ABAP

O guia permite realocar cada FUE entre tipos de uso durante a vigência e não permite dividir um mesmo FUE entre tipos diferentes. O dimensionamento do sistema acompanha a faixa de FUE: na menor faixa, de até 135 FUE, o guia não prevê entrega de ambiente de qualidade. O acesso por aplicações de terceiros integradas ao ERP e por agentes não humanos tem métrica própria, o SAP S/4HANA Cloud, Digital Access, medido em documentos criados por ano.

O limite dessa leitura é a versão. O guia vale a partir da data do pedido, e pedidos anteriores seguem a versão arquivada correspondente. Em outubro de 2026, a SAP não publica preço por FUE em nenhuma moeda: o valor aparece na proposta comercial.

Quem instala e quem testa o upgrade no RISE with SAP

A SAP lança um release do SAP S/4HANA Cloud Private Edition a cada dois anos, com sete anos de manutenção para cada um, e planeja feature packs a cada seis meses nos dois primeiros anos. Em outubro de 2026, o release mais recente é o SAP S/4HANA 2025, cujo guia oficial registra o FPS02 em 07/10/2026. Dentro do contrato, a divisão de trabalho é explícita.

  • A instalação técnica de upgrades e de novos releases é feita pela SAP sob requisição, e o cliente responde por pedi-la a tempo.
  • O cliente só pode usar versão com manutenção vigente: manutenção principal, manutenção estendida ou o que o pedido indicar.
  • As verificações de simplificação e de incompatibilidade dos add-ons são executadas pelo cliente, que avalia os resultados para garantir que processos, aplicações e integrações continuem funcionando.
  • Se a SAP não conseguir fazer o upgrade por falta de cooperação do cliente, os níveis de disponibilidade do acordo deixam de valer.

O catálogo de papéis e responsabilidades detalha o que a execução técnica cobre. A tarefa padrão de upgrade não pode ser usada para ensaios, testes repetidos, cópias repetidas de sistema ou simulações: rodar o upgrade várias vezes para o mesmo release de destino exige projeto ou escopo separado. Os ajustes de objetos SAP em SPDD e SPAU são serviço empacotado, e os objetos do cliente pedem decisão do cliente durante a execução. A SAP oferece teste de regressão como serviço empacotado, com os casos de teste fornecidos pelo cliente.

Ensaios e regressão funcional ficam fora do serviço padrão e precisam de orçamento próprio. A lógica de releases e de feature packs está em versões e edições do SAP S/4HANA.

RISE with SAP ou S/4HANA on-premise hospedado por conta própria em um hiperescalador

Hospedar uma licença própria de S/4HANA na AWS, no Microsoft Azure ou no Google Cloud não cria um contrato RISE. O software pode ser o mesmo release; muda quem contrata a infraestrutura, quem opera e que termos regem o serviço. A comparação segue a página Offering Comparison do SAP Help e os documentos contratuais da Private Edition vigentes em outubro de 2026.

DimensãoRISE with SAP (Private Edition)S/4HANA on-premise hospedado por conta própria
Contrato de softwareAssinaturaLicença perpétua com manutenção
FornecedorSoftware, suporte, serviços e infraestrutura de um fornecedor, com um conjunto de acordos de nível de serviçoAcordos individuais para infraestrutura e para operação técnica
Acesso ao sistema operacionalO cliente não recebeConforme o contrato de hospedagem do cliente
UpgradeA SAP instala sob requisição; o cliente planeja a tempo de ficar na manutençãoO cliente gerencia o upgrade
Add-onsAdd-ons qualificados para o S/4HANA; a SAP pode restringir ou exigir a remoção de add-on que traga risco ao serviçoQualquer add-on SAP ou de parceiro para o S/4HANA
Modificações do padrãoPossíveis e não recomendadas; o direito depende da oferta nomeada no contratoConforme a licença, com clean core como recomendação
Outros softwares no servidorVetados, salvo exceção autorizada pela SAPDecisão do cliente

A própria SAP descreve o on-premise como a opção para quem precisa de controle completo do ambiente de aplicação e de dados, quer reaproveitar infraestrutura, orçamento e contratos de infraestrutura já existentes ou segue exigência regulatória de setor ou de país. A Private Edition é descrita como a opção para quem quer assinatura, um fornecedor e a preservação de customizações do ECC e add-ons de parceiros.

RISE with SAP e SAP GROW: a diferença em resumo

SAP GROW, lançado em 21 de março de 2023 como GROW with SAP, é a jornada de adoção do ERP público da SAP, o SAP Cloud ERP, cujo produto técnico é o SAP S/4HANA Cloud Public Edition. O RISE parte de um ERP legado e chega à nuvem privada, com conversão, transição seletiva ou nova implementação. O GROW é sempre uma nova implementação sobre processos padronizados, com dois upgrades principais por ano conduzidos pela SAP. Porte não decide sozinho: uma subsidiária de um grupo grande pode adotar o ERP público enquanto a matriz segue na nuvem privada.

A comparação completa está em RISE with SAP e GROW with SAP, e as diferenças de escopo, extensão e integração entre as edições, em SAP Cloud ERP público e privado.

Por onde se entra: nova implementação, conversão, transição seletiva e lift and shift

A página Transition Paths do SAP Help define quatro caminhos para o SAP S/4HANA Cloud Private Edition, conforme o sistema de origem. A tabela resume essas definições, vigentes em outubro de 2026.

CaminhoO que a SAP descreveOrigem
Lift and shiftO sistema é movido como está, sem mudança de software nem de releaseSAP S/4HANA com pelo menos nove meses de manutenção principal restantes
Conversão de sistema (brownfield)O ERP é convertido com o Software Update Manager em uma etapa, com migração de banco, conversão do modelo de dados e troca do código de aplicaçãoSAP ERP 6.0 em qualquer banco
Transição seletiva de dadosConfiguração, dados mestres e dados transacionais são migrados e transformados de forma seletiva; costuma ser entregue como serviço de consultoriaSAP ERP 6.0
Nova implementação (greenfield)Sistema novo, com virada única ou por fasesSAP ERP 6.0, versões anteriores do SAP ou sistema de terceiros

Na conversão, a SAP entrega a execução técnica como serviço adicional, pedido a cada rodada, e a migração de banco para o SAP HANA é pedida à parte. A responsabilidade geral pelo projeto e a conversão funcional ficam com o cliente. Para quem roda a Business Suite 7 em banco de terceiros, o comunicado da SAP de 07/10/2026 traz um prazo: a conversão para o S/4HANA ou para o SAP Cloud ERP só fica disponível antes do fim de 2030, e depois resta a nova implementação. Os critérios de escolha estão em greenfield, brownfield e os caminhos do ECC ao S/4HANA, e o destino do código Z, em clean core no SAP.

A opção de transição do ECC para 2031 a 2033

SAP ERP, private edition, transition option é uma assinatura em nuvem com prazo definido, centrada no SAP ECC sobre SAP HANA, que a SAP criou para clientes grandes com instalações complexas terem continuidade de 2031 a 2033. Ela não estende a manutenção do ECC on-premise, que para os três últimos enhancement packages vai até 31/12/2027, com manutenção estendida opcional até 31/12/2030. As condições publicadas em 4 de agosto de 2025 são estas:

  • os sistemas precisam estar migrados para o SAP ERP, private edition sobre SAP HANA antes de 31 de dezembro de 2030;
  • o SAP HANA é o único banco suportado;
  • o tamanho mínimo é de 2 TB por sistema assinado na opção;
  • os produtos elegíveis estão na SAP Note 3591251, e produtos fora da lista precisam de cobertura de mitigação;
  • a opção só vale combinada com o plano max success durante 2031 a 2033.

O comunicado de 07/10/2026 acrescentou que a opção não suporta capacidades que dependem de Java. O preço é um acréscimo sobre o preço do SAP ERP, private edition válido no fim de 2030: a SAP divulgou acréscimo padrão de 20% para quem assina em 2026 e não divulgou o valor para 2027 em diante. Os prazos por enhancement package estão em O SAP PM acabou?, e a diferença entre banco e ERP, em SAP HANA: o que é.

Os prazos de todas as versões, do ECC por enhancement package ao S/4HANA, NetWeaver e HANA, e o que cada fase de manutenção cobre estão em suporte SAP por versão: prazos de manutenção e fases.

Incentivos de migração: o que a SAP anunciou e até quando valeu

Três fatos estão documentados. Em 30 de janeiro de 2024, a SAP anunciou o RISE with SAP Migration and Modernization program, com créditos para abater custo de manutenção, de serviços ou de assinatura de nuvem e a declaração de que a oferta poderia reduzir o custo de migração em até 50%, com validade até o fim de 2024. Em agosto de 2025, ofereceu a quem assinasse o SAP ERP, private edition até o fim de 2025 a passagem para a opção de transição em termos comerciais equivalentes. E em 27 de abril de 2026, uma publicação da SAP com o grupo de usuários DSAG citou o programa de 2024, um incentivo de transformação em 2025 e a frase de que as opções para 2026 estavam em avaliação conjunta.

Em outubro de 2026, a SAP não anuncia nenhum incentivo de migração em vigor. Percentual, crédito e elegibilidade de 2024 e de 2025 são história, e o que existir hoje precisa vir por escrito na proposta.

O que a TI precisa perguntar antes de assinar

As perguntas saem das cláusulas e das linhas de catálogo citadas neste texto. A terceira coluna diz que documento responde cada uma.

TemaPerguntaOnde está a resposta
InterfacesQuantas interfaces leem e gravam no ERP, com que tecnologia, e quem as configura no ambiente novo?Inventário próprio e a linha de configuração de interfaces do catálogo
Monitoramento de interfaceO pacote de monitoramento foi contratado e cobre quantas interfaces?Pedido de compra
Código ZQuem executa as verificações de simplificação, quem corrige o código, quem decide em SPDD e SPAU, e a oferta do pedido dá direito a modificar o padrão?Cláusulas de upgrades e de modificações dos termos suplementares
Add-onsCada add-on de terceiros foi avaliado, é gerenciado ou não, e quem dá suporte?Seção de software de terceiros do catálogo; a avaliação pode levar várias semanas
Janelas de upgradeEm que dia cai a janela mensal de 4 horas e como se agenda a parada de um upgrade?Cláusula de manutenção do sistema e o SAP for Me
EnsaiosQuantos ensaios de upgrade e de conversão o projeto prevê e em que escopo foram contratados?Proposta do projeto, porque a tarefa padrão não cobre ensaio
Backup e desastreA retenção de 30 dias atende às obrigações legais, e existe assinatura de recuperação de desastre?Acordo de nível de serviço e pedido de compra
LicenciamentoComo os usuários foram distribuídos por tipo de uso, e o acesso por aplicativos de terceiros entra em FUE ou em Digital Access?Guia de descrição de serviço da data do pedido
Saída do contratoEm que formato os dados são devolvidos e que sistema vai conseguir lê-los?Cláusula de devolução de dados dos termos suplementares

Sobre a saída: a pedido do cliente, antes do término ou da expiração, a SAP fornece uma exportação final dos dados em um formato de mídia de backup usado por ela. O cliente tem duas semanas a partir do recebimento para verificar se a exportação é utilizável; sem manifestação, ela é considerada utilizável. O plano de saída precisa dizer em que sistema esse backup será restaurado.

Quando o RISE with SAP faz sentido e quando não faz

A resposta depende de critérios que a TI consegue verificar antes da proposta.

Critério verificávelAponta para o RISE with SAPAponta para outra opção
Quem deve operar infraestrutura, banco e Basis técnicoA empresa quer um fornecedor para software, suporte, infraestrutura e operação técnicaA empresa quer controle completo do ambiente ou tem contratos de infraestrutura que pretende manter
Dependência de acesso ao sistema operacional e de software próprio no servidorNenhum processo depende dissoAgentes, scripts ou softwares instalados no servidor são parte da operação
Escopo funcional e customizaçõesO sistema precisa de escopo comparável ao on-premise e de preservar customizações e add-ons qualificadosOs processos cabem no padrão e o projeto é uma nova implementação, caso em que o ERP público entra na avaliação
Capacidade de testeExiste equipe e orçamento para regressão a cada feature pack e a cada upgradeA expectativa é que a operadora do ambiente teste os processos
Prazo do ECCECC sobre SAP HANA, com 2 TB ou mais, que não termina a migração até 2030O ambiente depende de Java ou de produtos fora da nota de elegibilidade
Exigência regulatória ou de residência de dadosA região e o provedor disponíveis atendem à exigênciaA exigência pede data center próprio, caso que a SAP trata como exceção

O que os documentos deixam claro é o alcance da assinatura: ela transfere a operação técnica do ambiente para a SAP. A implantação funcional, os testes, o código próprio e a maior parte da administração de interfaces seguem com o cliente e com os parceiros que ele contratar.

O que muda para a manutenção e para os aplicativos de campo

Para a manutenção industrial, o RISE mantém o SAP PM na Private Edition, com os processos clássicos e os processos por fases, e muda as regras do entorno. O tipo de uso de cada perfil precisa ser conferido no guia de descrição de serviço, porque Maintenance Execution aparece no self-service use e Maintenance Planning só a partir do core use. Toda interface que leva ordens, notas, confirmações e medições entre o ERP e outros sistemas entra no inventário, e cada upgrade pede regressão dos fluxos de campo.

Quem avalia o aplicativo da própria SAP encontra a Private Edition entre os backends do SAP Service and Asset Manager 2511, que exige SAP BTP Mobile Services e Cloud Connector, itens a conferir no pedido. As perguntas específicas de quem planeja e executa ordens estão em RISE with SAP: o que a manutenção precisa perguntar, e os cuidados de um projeto de mobilidade, em projeto mobile para SAP PM.

A PM RUN é a plataforma de execução, mobilidade e planejamento de manutenção que roda sobre o SAP PM, sem substituir o SAP, e usa o SAP PM no ECC 6.0 ou no S/4HANA, on-premise ou em nuvem. Em um projeto RISE, a integração entre a plataforma e o ERP segue a mesma disciplina: entra no inventário de interfaces, tem monitoramento definido e passa pela regressão a cada upgrade. O que o técnico executa em campo está em PM RUN Mobilidade.

Perguntas frequentes

RISE with SAP é a mesma coisa que SAP S/4HANA?

Não. SAP S/4HANA é o ERP. RISE with SAP é a jornada e a oferta contratada que levam o cliente a esse ERP na nuvem privada, com infraestrutura, operação técnica, suporte e ferramentas de transformação no mesmo contrato de assinatura.

RISE with SAP é só nuvem privada?

Em outubro de 2026, a SAP apresenta o RISE with SAP como a jornada para o SAP Cloud ERP Private, e o SAP GROW como a jornada para o ERP público. Contratos RISE mais antigos incluem a edição pública.

O que é FUE no RISE with SAP?

FUE (Full Use Equivalent) é a métrica de usuários da Private Edition. No guia de descrição de serviço v.12-2025, 1 FUE equivale a 1 acesso advanced, 5 acessos core, 30 acessos self-service ou 0,5 acesso de desenvolvedor. A quantidade contratada e a versão do guia aplicável estão no pedido de compra.

Quem faz o upgrade no RISE with SAP?

A SAP faz a instalação técnica sob requisição. O cliente responde por manter uma versão com manutenção vigente, por executar as verificações dos add-ons e por testar processos, aplicações e integrações. Ensaios de upgrade não fazem parte da tarefa padrão.

O RISE with SAP inclui a implantação?

Não. A assinatura inclui onboarding, orientação especializada e um serviço de preparação da transformação que entrega um roadmap de até um processo de ponta a ponta. A implantação funcional é um projeto à parte, com parceiro ou com serviços da SAP.

Posso levar programas Z e add-ons para o RISE with SAP?

Os termos suplementares permitem desenvolver e usar add-ons ABAP do cliente e add-ons certificados, com instalação, gestão, suporte e testes por conta do cliente. O direito de modificar o padrão vale para as ofertas nomeadas na cláusula, e quem assina o SAP extended services não pode fazer modificações.

Qual é o SLA de disponibilidade do RISE with SAP?

O acordo de nível de serviço da Private Edition, na versão v.7-2025, fixa 99,5% ao mês para produção e 95,0% para ambientes não produtivos, salvo percentual maior no pedido. O SLA de 99,9% é uma assinatura comprada à parte.

Hospedar o S/4HANA na AWS, no Azure ou no Google Cloud é o mesmo que RISE?

Não. Com licença própria hospedada em um hiperescalador, o cliente mantém licença perpétua com manutenção e contrata infraestrutura e operação em acordos individuais. No RISE, infraestrutura e operação técnica vêm dentro da assinatura com a SAP.

Dá para ficar no ECC até 2033 com o RISE with SAP?

Somente pela SAP ERP, private edition, transition option, que cobre 2031 a 2033 para sistemas ECC sobre SAP HANA com pelo menos 2 TB, migrados para a nuvem privada da SAP antes de 31/12/2030, com produtos elegíveis na SAP Note 3591251 e plano max success.

Referências

RISE with SAP
SAP S/4HANA
SAP Cloud ERP Private

Voltar para o blog