O SAP Asset Manager é o aplicativo móvel da SAP para executar a manutenção do SAP EAM no campo. Desde a versão 2205 ele se chama SAP Service and Asset Manager e continua a mesma linha de produto. O técnico recebe notas e ordens, confirma operações, registra medições e consome materiais no celular, com ou sem sinal, e os dados voltam ao SAP ERP (ECC) ou ao SAP S/4HANA.
O que define o projeto é a arquitetura. O aplicativo roda sobre o SAP Business Technology Platform (SAP BTP) Mobile Services, é construído com o Mobile Development Kit (MDK) e conversa com o back-end por serviços OData expostos por um add-on no SAP. Quem avalia o SAM precisa planejar essas três camadas, além do processo de manutenção.
De SAP Asset Manager para SAP Service and Asset Manager
A documentação da SAP registra a troca de nome depois da versão 2110 do SAP Asset Manager. A partir da 2205, o produto passou a se chamar SAP Service and Asset Manager para refletir o suporte a técnicos de manutenção e de serviço. As versões seguem o padrão ano e mês: 2205, 2305, 2410, 2505 e 2511, com pacotes intermediários como o 2511.1. No mercado brasileiro, a sigla SAM continua sendo usada para as duas fases do nome.
A descrição oficial do pacote de licenças define o SAM como um aplicativo móvel de gestão de ativos que atende técnicos de manutenção, de serviço e de segurança, com funções de estoque, armazém e logística de campo. Na página do produto, a SAP informa aplicativos prontos e extensíveis para iOS, Android e Windows. O guia da versão 2511 lista 32 idiomas, entre eles português do Brasil e espanhol.
Como a arquitetura do SAM funciona
O guia de visão geral do produto descreve o fluxo de sincronização em seis passos. O aplicativo se autentica no SAP BTP por OAuth 2.0 e acessa a sincronização remota do Mobile Services. O Mobile Services envia as requisições OData ao Cloud Connector, que entra no ambiente on-premise e as entrega ao add-on móvel instalado no SAP Gateway. O add-on responde em OData e o Mobile Services sincroniza o banco offline do aparelho com essa resposta.
A tabela abaixo resume cada componente, o que ele faz e onde fica. Os nomes seguem a documentação da SAP.
| Componente | Função no SAM | Onde roda |
|---|---|---|
| Aplicativo SAM (cliente MDK) | Interface do técnico, banco offline e regras de tela definidas em metadados | iOS, Android ou Windows |
| SAP BTP Mobile Services | Onboarding, autenticação, serviço OData offline, push, ciclo de vida das versões e logs | SAP BTP (Cloud Foundry) |
| Mobile Development Kit (MDK) | Plataforma de metadados para configurar e estender telas, ações e regras do aplicativo | SAP Business Application Studio e Mobile Services |
| Cloud Connector | Ponte segura entre o SAP BTP e o back-end on-premise, com propagação do usuário | Rede do cliente |
| Mobile Add-On ou MAIF | Serviços OData, configuração por persona e parâmetros do aplicativo no SAP | SAP ERP ou SAP S/4HANA, via SAP Gateway |
Dois detalhes pesam no planejamento. O ambiente Neo do SAP BTP está em descontinuação, conforme a Nota SAP 3351844, e a documentação orienta a migração para Cloud Foundry. Além disso, o SAP Gateway precisa ter a idempotência configurada, porque o SAM depende dela para garantir a integridade dos dados enviados por OData.
O papel do Mobile Development Kit
O MDK é uma plataforma de desenvolvimento baseada em metadados. O aplicativo padrão vem como um conjunto de definições que a equipe importa no SAP Business Application Studio, ajusta e publica no Mobile Services. O aparelho consulta periodicamente o serviço de atualização e baixa as novas definições. Isso permite mudar telas e regras sem republicar o aplicativo na loja, mas cria um ativo próprio do cliente: cada atualização de versão do SAM exige comparar e mesclar os metadados customizados com os novos metadados padrão. A SAP oferece uma ferramenta de atualização de metadados para essa etapa.
Como o modo offline funciona no SAM
O offline do SAM é baseado no serviço OData offline do Mobile Services. O aparelho guarda um banco local com o recorte de dados definido para o técnico e para a persona. As transações registradas sem sinal ficam no aparelho até a próxima sincronização, quando sobem para o back-end e o banco local recebe as mudanças.
A versão 2505 trouxe a opção de envio sem download imediato, chamada Upload Only, que permite enviar as transações ao concluir um trabalho ou o turno sem disparar o download do delta. A própria SAP avisa que o recurso tem limitações e recomenda revisá-las antes de ativar. O recorte offline é uma decisão de projeto: dados demais deixam a sincronização lenta, e dados de menos fazem o técnico ficar sem a informação de que precisa longe da rede.
Para entender o que testar quando dois técnicos mexem na mesma ordem sem sinal, o artigo sobre dois técnicos offline na mesma ordem SAP detalha os cenários de conflito.
Back-ends compatíveis com o SAM
O guia de início rápido da versão 2511 define os back-ends aceitos. A tabela organiza os casos e a consequência para o projeto.
| Back-end | Condição informada pela SAP | Consequência para o projeto |
|---|---|---|
| SAP ERP 6.0 (ECC) | Pacote de melhorias 7 ou 8, com o SAP Mobile Add-On for ERP | Instalar o add-on e os support packages compatíveis com a versão do SAM |
| SAP S/4HANA 1610 a 1809 | Mobile Add-On for SAP S/4HANA | Add-on instalado à parte, com verificação de compatibilidade por versão |
| SAP S/4HANA 1909 ou superior, on-premise ou Cloud Private Edition | O framework de integração móvel (MAIF) já vem embutido | Ativar BC sets, serviços OData e personas; compatibilidade controlada por FPS e notas TCI |
| SAP S/4HANA Cloud Public Edition | O SAM não é o aplicativo indicado | A SAP orienta usar o SAP Maintenance Assistant |
A compatibilidade muda a cada versão. O guia de atualização da 2505 exige, por exemplo, SAP S/4HANA 1909 no mínimo, ou SAP ERP 6.0 com os componentes do add-on no support package 16. Quem ainda roda ECC precisa cruzar esse requisito com o prazo do próprio ERP, assunto do artigo sobre o fim da manutenção do ECC em 2027 e 2030. A diferença entre edições está no artigo sobre versões e edições do SAP S/4HANA.
Personas e licenciamento
O SAM organiza funções por persona. Cada usuário recebe uma ou mais personas, e as autorizações seguem essa atribuição.
- Técnico de manutenção: versões Standard, Professional e External, para notas, ordens, medições, histórico do ativo e confirmações de tempo e material.
- Técnico de serviço de campo: versões Standard, Professional e External, com agenda, relatório de serviço, despesas e integração com o SAP Field Service Management.
- Almoxarife: recebimento, saída, transferência, inventário físico e requisições de compra.
- Técnico de segurança, armazém estendido e logística de campo: personas específicas para liberação de trabalho, SAP EWM e movimentação de materiais entre base e campo.
As personas externas atendem trabalhadores terceiros sem exigir um usuário SAP para cada pessoa, mas não podem ser combinadas com outras personas. No licenciamento, o SAM faz parte da oferta SAP Mobile Execution and Dynamic Forms, com tipos de uso Basic, Standard e Professional ligados às personas. Valores e condições são tratados com a SAP; o guia também orienta configurar um tipo de usuário específico no SU01 para os usuários dessa oferta.
O que um projeto de SAM exige
A tabela de instalação rápida da SAP distribui as etapas entre papéis diferentes: administrador de TI, administrador do SAP ERP ou SAP S/4HANA, especialista de segurança, administrador do SAP BTP, desenvolvedor MDK e especialista de negócio. Na prática, um projeto precisa cobrir:
- Configurar a conta global e as subcontas do SAP BTP, com as entitlements do Mobile Services associadas à licença correta.
- Instalar e mapear o Cloud Connector, com propagação de usuário até o back-end.
- Ativar o add-on ou o MAIF, os BC sets, os serviços OData e as autorizações por persona no SAP.
- Ajustar e estender os metadados no MDK, preservando o que foi customizado para a próxima atualização.
- Desenhar o recorte offline e testar sincronização, conflitos e erros de envio.
- Diagnosticar falhas lendo logs e traces do back-end, do SAP Gateway, do Cloud Connector, do Mobile Services e do aparelho.
Esse conjunto de competências raramente está em uma só pessoa. O artigo sobre projeto e suporte de SAP Asset Manager no Brasil trata de como montar essa equipe e verificar a experiência de quem vai implantar.
Para quem o SAM é a escolha natural
O SAM faz sentido para quem quer o aplicativo padrão da SAP, mantido pela SAP, e já opera ou pretende operar o SAP BTP como plataforma. Empresas com estratégia de nuvem SAP definida, equipe com domínio de BTP e MDK, necessidade de várias personas no mesmo aplicativo (manutenção, serviço, estoque, segurança e armazém) e suporte direto da SAP pelo componente MOB-APP-SAM tendem a encontrar no SAM o caminho mais coerente.
Há operações em que a pergunta principal é outra: como colocar a ordem do SAP PM no celular do técnico e o planejamento na mão do PCM, com implantação e suporte em português. Para esse recorte, o PM RUN funciona como camada de execução sobre o mesmo SAP PM, com aplicativo offline para Android e iOS, integração por SOAMANAGER, PI, CPI, RFC ou plataformas de integração e um pacote próprio no SAP. Ele não exige Mobile Services nem MDK, e o SAP continua sendo o sistema de registro. A escolha entre os dois depende da estratégia de plataforma, das personas necessárias e de quem vai implantar e sustentar a solução.
Perguntas frequentes
SAP Asset Manager e SAP Service and Asset Manager são produtos diferentes?
Não. A SAP renomeou o SAP Asset Manager a partir da versão 2205 e trata o SAP Service and Asset Manager como continuação do mesmo aplicativo. A documentação das versões até a 2110 continua publicada com o nome antigo.
O SAM funciona sem o SAP BTP?
Não. A documentação da SAP lista uma conta do SAP BTP com Mobile Services como requisito, além do Cloud Connector para back-ends on-premise. O aplicativo depende desse serviço para autenticação, sincronização offline e distribuição de versões.
O SAM funciona com SAP ECC?
Sim, com SAP ERP 6.0 nos pacotes de melhorias 7 ou 8 e o SAP Mobile Add-On for ERP instalado. Cada versão do SAM exige um support package mínimo do add-on, que precisa ser conferido no guia de atualização da versão escolhida.
O SAM serve para o SAP S/4HANA Cloud Public Edition?
O guia de início rápido da versão 2511 informa que, com o SAP S/4HANA Cloud Public Edition como back-end, o aplicativo a usar é o SAP Maintenance Assistant.
O que muda a cada atualização de versão do SAM?
Além de verificar a compatibilidade com o back-end, a equipe aplica notas, ativa o BC set da nova versão, replica as customizações, cria a nova versão do aplicativo no SAP BTP e atualiza os metadados do MDK. A SAP permite rodar as duas versões em paralelo durante a transição.
Referências
- SAP Help Portal: SAP Asset Manager (nota de troca de nome a partir da 2205), acesso em 04/10/2026.
- SAP Help Portal: SAP Service and Asset Manager, acesso em 04/10/2026.
- SAP Service and Asset Manager Application Product Overview, versão 2511, acesso em 04/10/2026.
- SAP Service and Asset Manager Quick Start Guide, versão 2511, acesso em 04/10/2026.
- Upgrading SAP Service and Asset Manager, versão 2505, acesso em 04/10/2026.
- SAP Service and Asset Manager New Features, versão 2511.1, acesso em 04/10/2026.
- SAP: página do produto SAP Service and Asset Manager, acesso em 04/10/2026.
- SAP Learning: Implementing SAP Service and Asset Manager, acesso em 04/10/2026.
